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O CORPO: PRISÃO OU PORTAL? ( Helder Teixeira )

A maioria foi ensinada
a desconfiar do corpo.
A vê-lo como impulso.
Como distração.
Como algo a controlar…
ou a transcender.
De Plato
a certas correntes religiosas,
o corpo tornou-se um problema.
Algo que está no caminho
da verdade.
--
Mas há uma pergunta
raramente feita:
E se o corpo
não for o obstáculo…
mas a linguagem?
Não aquilo que distorce a perceção,
mas o lugar onde a perceção
ganha forma?
Desejo, tensão, atração, resistência — não são conceitos abstratos.
Movem-se na carne.
E talvez seja por isso
que são desconfiados.
--
Porque o corpo
não mente
como a mente pode mentir.
Ele revela.
Não aquilo que acreditamos ser…
mas aquilo que realmente vivemos.
E assim, ao longo dos séculos,
surgiram dois movimentos:
Um que tenta elevar-se acima do corpo
em busca de clareza.
Outro que mergulha no corpo
para compreender a vida diretamente.
Nenhum é completo por si só.
--
Negar o corpo
é afastar-se da experiência.
Ser consumido por ele
é perder a consciência.
A questão não é:
Corpo ou transcendência.
Mas se é possível
habitar plenamente o corpo…
sem perder a capacidade de ver.
--
Talvez o corpo não seja uma prisão.
Mas torna-se uma
quando é vivido sem consciência.
E talvez também não seja um portal…
a menos que haja presença dentro dele.
Porque sem isso,
tudo — até o desejo —
se transforma em repetição.
E com isso,
até a sensação mais simples
se torna revelação.
--
O corpo não precisa ser negado.
Precisa ser visto.
 
Poema de Helder Teixeira
O Poeta das Sombras— em Lisboa, Portugal.

Autor: Eduardo Gomes
Data: 07/04/2026

 

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